E então, foi encarando as lajotas geladas do chão que eu lembrei por que toda vez que me perguntavam meu livro favorito meus pensamentos se direcionavam à Alice. Ela fugia para um mundo sem problemas. E por um momento eu esperei que um buraco surgisse sob meus pés e me engolisse, junto do meu choro calado na madrugada da segunda feira de maio. Eu esperei o coelho branco gritando que era tarde, fazendo-me esquecer da traição que eu havia sofrido e de como era ter o coração partido novamente, pela quarta vez, se eu não me enganava. Talvez a lagarta me fizesse entender por quê as pessoas perdoam pela terceira vez e ainda choram quando são decepcionados pela quarta. Talvez fosse isso que o amor fizesse, dar esperanças. E eu, mesmo que ele tivesse me feito chorar todos os dias naquela semana, ainda me dava esperanças. Amor de verdade despe, despe de roupas, de mentiras, de armaduras, de orgulhos. Amor despe e fere.
E mais uma vez eu olhei um chão, esperando um buraco surgir aos meus pés, enquanto minhas lágrimas quentes confortavam o buraco que ele tinha feito.
Cresswell
thiagopolycarpo
Você faz uma nota mental dizendo que nunca mais irá se iludir de novo. Aí é lançada no cinema uma nova comédia romântica que conta exatamente sua história com fulano de tal e lá eles tem finais felizes. E você se ilude de novo esquecendo que a realidade está mais para uma desventura em série do que para uma comédia romântica.
O amor causa danos. Thiago Polycarpo.  (via thiagopolycarpo)